Massacre de 1506

Com fachadas para o Rossio e para a Rua de Santo Antão ou Portas de Santo Antão (Ateneu Comercial de Lisboa) ficava o Paço dos Estaus que era a Sede da Inquisição (agora teatro D. Maria). Era no Rossio que as fogueiras eram ateadas para os hereges. A nascente do Rossio, ficava (fica) a Igreja de S. Domingos, a parte do Convento de S. Domingos que sobreviveu ao terramoto de 1755 e o Hospital de Todos os Santos que também foi destruído pelo terramoto. Este local, Convento de S. Domingos, deu-se o massacre de Lisboa em 1506, 9 anos após a campanha contra os Judeus perpetrada por D. Manuel I. A população juntou centenas de pessoas judias que torturaram e queimaram em histeria colectiva. Tudo começou após uma suposta visão de Cristo na altura em que a população rezava com o intuito de acabar com a seca e a peste. Um fenómeno de luz foi encarado como uma aparição do Messias e um cristão-novo insurgiu-se dizendo que apenas era um reflexo da luz…Foi o desgraçado espancado até à morte. A partir desse momento a população culpou os Judeus, que viam com muita desconfiança, pelos males que os assolavam. sucederam-se 3 dias de massacre, incentivados pelos frades dominicanos de crucifixo na mão, que prometiam 100 anos de perdão a quem matasse os hereges…Maior parte dos assassinos não foram punidos pelo crime. D. Manuel I, que se encontrava em Abrantes, fugindo da peste que assolava a cidade, enviou o Prior do Crato  e D. Diogo Lopo, Barão do Alvito, para averiguar que que de passou. Ainda no fim da tarde desse fatídico dia de Páscoa, acudiu à cidade o Regedor Aires da Silva e o Governador D. Álvaro Castro com as pessoas que conseguiram juntar, mas o acto já estava consumado, nada mais podiam fazer. Muitos dos Assassinos eram provinientes de barcos atracados no porto de Lisboa. Barcos Holandeses, Alemães, e Zelandeses e  esses marinheiros fugiram com os despojos. Os poucos portugueses foram apanhados e condenados, mas os que foram, padeceram de enforcamento na praça do Rossio. Os dois padres dominicanos que incentivaram o massacre, tiraram-lhes a ordem e foram queimados.

A Igreja de S. Domingos, foi derrubada  depois do terramoto de 1755. Anteriormente, em 1748  foram efectuadas obras pelo mesmo arquitecto que projectou o Convento de Mafra,  João Frederico Ludovice. Depois do terramoto, foi reconstruída por Manuel Caetano de Sousa. Em 1959, 13 de Agosto houve um incêndio que devastou a Igreja que em 1994 foi recuperada, mas deixando as marcas do fogo visíveis…Talvez, conjectura a autora, para recordar daqueles que padeceram no mesmo fogo 488 anos antes. Não deixa de ser uma Igreja linda mesmo assim e adiante lhe farei um post dedicado exclusivamente.

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No mesmo local foi erigido um memorial às vitimas do massacre:

Foto de A. Cibrão

Foto de A. Cibrão

Fontes: Lisboa Antiga – Júlio Castilho

Wikipédia

Crónica de Damião de Goís

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